Após o dilúvio da última segunda-feira, a noite de ontem não reservou surpresas na pelada do alto Uruguai. Os times grandes venceram e a Matonense, liderada pelos recém contratados Chine e Júnior, fora apenas codjuvante (lê-se saco de pancadas) no espetáculo da Arena Tijucana. Três empates em 1x1 demonstraram quão equilibrada e disputada foram os jogos entre os grandes.
Cadu, o mais nervoso da noite, se excedeu algumas vezes na reclamação, mas não se deixou abater com a forte marcação oferecida pelo Biafra que o fez "...voar,voar..." após uma falta violenta não permitindo a conclusão de uma jogada sensacional que o deixaria de frente pra meta do goleiro Felipe, que estava no departamento médico há muito tempo. Seu último jogo fora em dezembro de 2010, quando teve um princípio de fricote ao ver sangue em sua mão num lance até hoje mal explicado. "...lembrou o goleiro Rojas naquele lamentável episódio no maracanã." Disse um torcedor mais inflamado. Quem também apareceu por lá foi o grande e lúcido zagueiro Bel. Conhecido como "O Dono do Vestiário" no fim das peladas, Belão foi bem, considerando seu período de afastamento, mas ainda sem ritmo acabou dando muito espaço para Cadu, que matou a bola no peito e acertou um belo chute de esquerda marcando um dos gols mais bonitos da noite de ontem. Composto por Motumbo no gol, Marco (cabelereiro), André (bomba), Maurício, Alcides e Durão (Rufus, O Lenhador) e Cadu, o time com o maiornúmero de pontos da noite não apresentou um futebol brilhante, prova disso foi a canelada incrível de Alcides num contra-ataque que definiria uma das partidas, mas aproveitou as chances que teve para somar pontos. "...um time muito voluntarioso e destemido." Com estas palavras, o capitão da equipe Alcides, definiu a proposta desta formação, que por ironia ele, junto com a diretoria, ajudou a desenhar.
Já do outro lado, o selecionado liderado por Marcos e Marcinho apresentara um futebol mais leve, envolvente e objetivo. Marcos, o melhor da noite, fez cinco gols e declarou: "...estou à disposição do Professor Ricardo Gomes para ser ao menos relacionado para a reta final da Copa do Brasil." Autor do gol mais bonito, uma letra sem chances para Motumbo, o craque vem num crescente a cada segunda. Na semana anterior, mesmo em meio à tempestade que assolou a zona norte da cidade, deu um passe de peito, à la futevôlei, para um companheiro, deixando-o na cara do gol. "...venho me preparando a cada dia e estrou pronto para uma chance na colina." Formado por Neymar no gol, Abraão (um leão na zaga), Bel, Roberto (Yes), Marcinho e Marcos, o segundo melhor time da noite jogou bem, mas não ganhou na soma de pontos.
O destaque da noite ficou mesmo para o fiasco apresentado pela Matonense. Duas contratações de peso deram esperança para a pequena, mas valente torcida do interior de São Paulo. Júnior e China vieram diretamente do mundo árabe para iniciar um trabalho forte valorizando o futebol daquela cidade. Craques no Brasil no início da década de noventa, China e Júnior ainda não deram "liga" em sua volta ao Brasil. Dois anos jogando juntos no Catar, foram responsáveis por levar Al Rayaan para a primeira divisão do futebol naquele país. Júnior e China, ainda sem ritmo, não quiseram gravar entrevista e saíram rapidamente da Arena. A assessoria da dupla nos informou que eles tinham compromissos com o patrocinador, mas a redação deste jornal teve acesso à um amigo particular dos jogadores que nos garantiu que a parceria dos dois estaria chegando ao fim.
A bucólica noite desta segunda serviu para reforçar uma antiga retórica do futebol: O trabalho tem que ser feito na base e na escolha detalhada de cada peça do elenco, e não "amontoar" ex-craques, pagando verdadeiras fortunas e esperar um milagre para se tornar uma equipe vencedora. Definitivamente esta fórmula não dá certo.
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03/05/11, Tijuca, RJ
Na próxima segunda calarei os críticos!!!
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